A violência contra meninas e mulheres permanece como um dos maiores desafios para a segurança pública no país. Dados recentes do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026 destacam a persistência dos feminicídios, que configuram o desfecho trágico de um ciclo marcado por ameaças, perseguições e agressões físicas, psicológicas, emocionais e financeiras.
Estratégias integradas de proteção
O combate efetivo a esse cenário exige uma rede articulada que vá além da resposta policial e judicial. A prevenção, o acolhimento adequado e a autonomia financeira são pilares indispensáveis. No Espírito Santo, essa perspectiva integra o Plano ES 500 Anos, por meio do Grupo de Missão 3 – Cuidado Integral, que trata o feminicídio como um indicador crítico para fortalecer a proteção de populações vulneráveis.
Ações de segurança e fiscalização
Na área de segurança pública, o programa Estado Presente em Defesa da Vida reúne diversas frentes, como o eixo Mulher Viva+. A Polícia Militar atua na fiscalização de medidas protetivas por meio da Companhia Independente de Prevenção à Violência Doméstica. Entre 2014 e julho de 2026, foram registradas mais de 105 mil visitas tranquilizadoras. Já o Programa Mulher Segura emprega monitoramento eletrônico de agressores, alcançando mais de 300 homens monitorados para resguardar vítimas em risco elevado.
A Polícia Civil complementa a rede com 13 delegacias, seis núcleos especializados e 18 Salas Marias em Delegacias Regionais, garantindo acolhimento emergencial sem contato com o agressor. Para evitar a reincidência, o programa Homem que é Homem promove grupos reflexivos em 30 municípios, atendendo mais de dois mil homens com taxa de reincidência inferior a 5%.
Autonomia e assistência social
A Secretaria Estadual das Mulheres articula políticas essenciais como os Centros Margaridas, que prestaram mais de 42 mil atendimentos até julho de 2026. O programa Fortalece MulherES já contemplou 53 municípios com o Kit Mulher Viva+, enquanto o Qualificar Mulher ES capacitou 4.526 mulheres em 2025 para promover a independência financeira.
A articulação contínua entre segurança, saúde, assistência social e geração de renda demonstra que a preservação da vida depende de serviços públicos estruturados e coordenados para reduzir vulnerabilidades e romper ciclos de violência.
Fonte: Folha Vitória