A jovem capixaba Raquel Zambom faleceu aos 17 anos na noite de uma quarta-feira, deixando um legado marcante no esporte paralímpico nacional. Reconhecida por sua dedicação às piscinas e por sua alegria contagiante, a adolescente construiu uma trajetória inspiradora de superação.
A descoberta da natação paralímpica
O primeiro encontro com o treinador Leonardo Miglinas foi marcado por um sorriso que ficou na memória. Na época, a atleta ainda explorava novas oportunidades e foi procurar o técnico ao saber de sua experiência na área durante uma competição escolar.
A entrada na Associação Capixaba Paralímpica de Desporto (ACPD) abriu portas para competições e pódios logo no primeiro ano. O bom desempenho rendeu ainda uma convocação para o Camping Paralímpico, iniciativa do Comitê Paralímpico Brasileiro voltada para destaques das Paralimpíadas Escolares.
Superação após diagnóstico raro
A relação com o esporte surgiu após um momento desafiador. Em 2020, na infância, a jovem foi diagnosticada com sarcoma de Ewing, um tipo raro de câncer na coxa direita. Após quimioterapia e cirurgia para a retirada do tumor, que removeu grande parte da musculatura da região, ela ficou com uma deficiência na perna.
Foi nesse cenário que a natação entrou em sua rotina, transformando-se em uma ferramenta para descobrir novas habilidades. Caracterizada por amigos e professores como uma menina doce, tranquila e muito educada, ela logo conquistou a todos ao seu redor.
“Cativou todos nós”, diz professora
A professora e mentora Stephany Castro Rocon acompanhava a atleta nas competições e destacava sua facilidade para fazer amizades. Mesmo convivendo com dores constantes, a nadadora sentia orgulho de representar seu estado e mantinha uma forte religiosidade até o fim da vida.
“Tivemos a oportunidade de ficar uma semana em São Paulo representando a comissão capixaba de natação e ela encantava a todos, fazia amizade de forma muito natural, então estar ali foi maravilhoso para ela”, contou.
Os resultados nos campeonatos refletiam sua dedicação aos treinamentos. O potencial da nadadora era evidente para toda a comissão técnica.
“Os resultados apareceram. Ela conseguiu medalhas e tinha muito potencial na modalidade, todos viram isso, logo identificaram e nós sabíamos.”, afirmou Stephany Castro Rocon, professora de Raquel.
A educadora também destacou a postura resiliente da aluna perante as adversidades.
“Mesmo lidando com as dificuldades, com as dores físicas, ela não reclamava. Era muito grata, uma adolescente com uma religiosidade muito forte, uma pessoa de fé. Essa luz nós enxergávamos de forma muito clara”, disse.
Interrupção da carreira e homenagens
Em janeiro de 2024, novos sintomas surgiram durante os treinos, revelando uma metástase no mediastino, região torácica de alto risco cirúrgico. A família buscou alternativas como a protonterapia na Espanha, mas as complicações de saúde interromperam o sonho de seguir profissionalmente nas piscinas.
A Secretaria de Estado de Esportes e Lazer (Sesport) emitiu uma nota oficial lamentando a perda da paratleta, que conquistou medalhas de prata e bronze nas Paralimpíadas Escolares de 2023, reforçando a importância de sua história para a comunidade esportiva capixaba.
Fonte: Folha Vitória